19 Junho 2009

Sobre a Arte da Meditação (I)


Quanto mais longe que eu levo o paralelo entre meditação e a cerimônia mais a mecânica subjacente a eles parecem se confundir. Entre um extremo e outro existem diversos tons de cinza porem tentarei uma divisão que servira para guiar a práxis.


A cerimônia é o via da vigília ou vida, a meditação é a via do sono ou morte.


O mecanismo básico de ambas as praticas envolve o cultivo de um raio, uma corrente de luz astral e consciência guiados pela vontade do praticante.


A cerimônia lança mão de métodos complexos onde todos os corpos (físico, instinto, emocional, intelectual e até mesmo outros seres) contribuem para a formação dessa corrente. A meditação em geral trabalha em condições menos intensas, colocando em repouso alguns desses corpos e concentrando a energia de outros.


Todas as meditações utilizam-se da concentração ou dharana como sua mola principal porem, podem utilizar-se da energia oriunda de diferentes parcelas da anatomia oculta humana.


Nessa serie de postagens pretendo explorar um pouco as diferentes praticas de meditação e minhas experiências com elas, em especial os método de Concentração, Reflexão, Exaltação, Estimulo e Indução.

Odes de Salomão

Meu intuito aqui é traduzir do inglês trechos de um antigo texto Siríaco do século II contendo 42 odes de louvor e adoração. Em um certo sentido estão para o Novo Testamento como os Salmos estão para o Antigo Testamento.

É possível perceber o forte sabor gnóstico dessas orações alem de sua forma devocional que se afasta muito do tom encontrado nas obras hebréias.

Ode I

O Senhor esta sobre minha cabeça como uma coroa e eu não estarei sem Ele

A Coroa da verdade foi tecida para mim e seus ramos floresceram.

Não é como um ramo seco que não frutifica

Você vive e floresce sobre mim.

Os frutos estão maduros e perfeitos, cheios de Tua salvação.

30 Maio 2009

Sobre a Arte da Devoção ( I )


A alguns ano como todo bom novato, eu havia memorizado vários Nomes de Deus e pretendia, por meio deles, conjurar as forças de diferentes Sephiroth. Após alguns meses de trabalho infrutífero reclamei com um amigo sobre a ineficiência dessas palavras santas. Sendo mais versado que eu na Arte ele respondeu algo que só compreendi anos depois:


“O que dá força a esses nomes é a sua devoção a Deus, sem isso, eles possuem muito pouco poder”


Obviamente quando ouvi isso pela primeira vez, entrou por uma orelha e saiu por outra, porem a experiência sempre converge os pensamentos.


Com o tempo percebi que o mero exercício da faculdade de concentração e da imaginação não eram capazes de desvelar o poder dos Nomes. Ocorreu-me que eu vinha usando os Nomes como se fossem alicates, martelos e chaves de fenda, faltava o mais importante, o elemento emocional, o senso de sagrado e a veneração a essência deles.


A verdade é que criar esse elo emocional não é dos mais fáceis. Primeiramente exige estudo do contexto nos quais foram usados, reflexão sobre a relação Deles com minha experiência de vida e meus próprios conceitos e por fim o uso deles como expressões da minha própria relação com o universo e com Deus.


Assim ao se pronunciar Elohim Gibor, não é meramente uma palavra misteriosa que vai vibrar a luz astral com a assinatura de marte, mas sim a poesia de um soldado que vê o Deus Forte sustentando fuzis e canhões. Adonai não é o nome por qual se chama os poderes do elemento terra, mas a trombeta do Senhor que vibra no interior do Éden, convocando os homens a retornarem a Terra Prometida.


Adotando tal atitude, ou melhor, saturando-se de tal anseio, a magia torna-se um elemento vivo e atuante, o frio Hod é fecundado pelo ardente Netzach fazendo tremer o próprio Fundamento (Yesod) do Universo. A oração não é mais a oração do eunuco, mas a canção do Amante de do Amado, que juntos criam um novo céu e uma nova terra.

28 Abril 2009

Textos Apagados

Como parte das reformas que estou fazendo no blog, apaguei os textos antigos. Isso foi feito por eles não refletirem mais meu pensamento e por isso perderem muito em utilidade e contexto. Pra quem ainda gosta deles, creio ter guardado copias.

Agora deixo ao tempo devorar aquilo que não esta mais em seu tempo.

16 Abril 2009

Sobre Arte da Evocação ( I )













A arte mágica é fundamentada em dois elementos principais, a interpolação e a combinação desses elementos é o vital Eles são a Invocação e a Conjuração.


Da Conjuraçã
o

Na pratica cerimonial uma das primeiras coisas que o magista deve aprender é a constranger, comandar e submeter a massa de luz astral e os seres que habitam nela. Em geral esse processo é realizado por meio das chamadas conjurações mágicas, orações cheias de nomes santos e citações mitológicas.

Existem dois detalhes importantes sobre as conjurações que escapam a percepção da maioria.

O primeiro é que tudo, dês de pessoas a objetos, são conjurados e comandados como seres independentes e sensitivos. Essa curiosa postura facilita a formação de um elo mental, uma projeção psicológica, por meio da qual a energia psíquica pode se propagar. Alem disso, essa atitude desperta para o magista para o universo como um continuum de consciência e vida, quebrando parte do “complexo-barreira” que limita o Corpo de Luz a sua casa de carne. A ação sobre o astral deixa de ser mecânica e passa a ser orgânica.

O segundo detalhe é a riqueza de símbolos mitológicos e a constante evocação de cenas e eventos. Esse estilo aparentemente rebuscado tem como objetivo estimular fluxos específicos de fantasias e, concomitantemente, emoções na mente do operador. Chamada a participar da operação por meio da associação imaginativa, a emoção torna-se a força indutora que guia e move o Corpo de Luz, levando-o a se desdobrar, projetar, penetra e agir sobre o ser conjurado.

Da Invocação

Se a conjuração depende de certa força que o operador dispõe, a invocação existe como um meio de provisioná-lo com a energia adequada. A ritualística cerimonial é análoga a um circuito, cuja energia neste caso é psíquica e astral (pleonasmo). Os objetos consagrados são como resistores, resistências, acumuladores e bobinas, conectados uns aos outros pela consciência do magista. Em uma extremidade do circuito se encontra a Conjuração, por meio do qual a energia é transformada em trabalho, ou melhor, em ação astral. Na outra extremidade encontra-se a Invocação, a fonte de energia que ira abastecer o sistema.

As regras da invocação são bastante similares, em estilo, a conjuração. Ela também se utiliza de imagens e símbolos para induzir o fluxo fantasia-emoção. Diferente da conjuração, o fluxo é mantido “circular”, percorrendo e alimentando os símbolos de forma receptiva, até o momento onde esses símbolos “vivem”, abrindo-se como janelas para forças alem da psique. São esses símbolo “vivos” que dão poder sobre-humano as conjurações, círculos e armas cerimoniais.

Das Falhas

Da má utilização e da fragmentação dessas operações é possível aprender muito e até mesmo aperfeiçoar nosso método. Os dois maiores erros cometidos, principalmente nas ramificações da Aurora Dourada, são as invocações fracas e a falta de uma interiorização adequada dos símbolos.

A falta de lógica e de profundidade dos símbolos, o exagerado sincretismo e a ausência de exercícios para a interiorização tornam qualquer sistema mágico fraco. Isso é tão claro que um dos impulsos mais comuns aos estudantes desses sistemas é a busca por alternativas não cerimoniais, no intuito mesmo que inconsciente, de suprir ao rito a energia que ele não é capaz de gerar.

Existem outras diversas falhas que posso enumerar, como o engessamento da imaginação e a má construção das cerimônias entre outras. Porem a exata percepção desses pontos é muito mais matéria de experiência do que de argumentação.

26 Novembro 2008

Por que minha magia não funciona?



Para aqueles que acompanham meu blog devo admitir que estive sumido a um bom tempo. Isso se deve a soma de fatores diversos como falta de tempo, falta de criatividade e um estranho processo onde perdi o contato com muito do que já escrevi aqui.


O tempo passa e o autor também não pode ser estático. Porem o processo místico não esta fundamentado em conhecimento mas no entendimento. Volto aqui não para oferecer conhecimento novo, que pode ser obtido a partir dos livros que li, mas para trazer um pouco do ínfimo entendimento que minha experiência me trouxe.


Pretendo reinaugurar essa nova fase com um assunto que é extensamente esquecido pelos “praticantes” e autores modernos, condições sine qua non para o sucesso na pratica mágica. Esse esquecimento é o responsável pela quantidade medonha de pseudo-magistas que rondam nossas moradas físicas e virtuais.


Estudo


A maioria dos místicos/mágicos/magista/xamans/iogues exibe um desgosto natural a estudos, isso quando não se gabam abertamente de seu horror aos livros. O mais comum é exibirem informações paradoxais e contraditórias obtidoa de livros ruins, mal lidos ou de sites da internet. Não que eu desgoste da grande rede (afinal, seria um tiro no pé certo?), porem ela é como o plano astral, você só entra se souber o que vai procurar.


Do ponto de vista mágico a falta de estudo atrapalha a formação de um elo adequado entre os símbolos e o inconsciente. O processo mágico ocorre em vários planos internos (corpo físico, emocional, intelectual e inconsciente) e externos (astral, físico e espiritual), drenando energia desses planos e projetando-a em uma nova direção.


Porem a única forma de levar os planos internos a participarem é por meio da assimilação desse conjunto de símbolos. Não simplesmente por memorizar mas por estabelecer uma forte conexão entre esse conhecimento e toda a estrutura e personalidade do praticante. Quanto mais ligado ao que ele É, mais energia será capaz de fluir por meio desses símbolos e posteriormente do ritual. A única maneira de formar essa ligação, essa síntese, é por meio do árduo trabalho intelectual que tantos temem.


Prática


Existe um certo “nível”de entendimento que apenas a experiência permite obter, seja ela obtida pela meditação ou pelo cerimonial. È por falta dessa que muitos são incapazes de levar suas sínteses individuais até a forma de uma unidade eficiente e prática de conhecimento.


Talvez um exemplo aqui venha melhor ilustrar o que falei sobre o estudo, prática e síntese. Um matemático gasta boa parte de sua formação memorizando equações e métodos matemáticos. Porem, com seu desenvolvimento intelectual, isso se liga de forma tão eficiente a sua estrutura psiquica que torna-se parte da sua natureza, em outras palavras, ele passa a “pensar” matemática, não apenas aplicar métodos técnicos. Muito do conhecimento supérfluo pode até ser esquecido sem que essa síntese, que permite que ele traduza sua vontade em criatividade matemática, seja perdida.


Porem para praticar corretamente é antes de tudo necessário disciplina e adesão aos exercícios. Não, fazer uma vez por semana não vai adiantar, não importa o qual poderosa seja a prática. Mudar de prática constantemente também não vai gerar resultados, e misturar práticas... bem, vou deixar um tópico futuro só pra isso.


Quem está disposto a obter resultados objetivos e positivos tanto no plano espiritual, astral e material, sim material, precisa trabalhar e trabalhar muito. É necessário colocar todas as forças que se tem, seja ela intelectual, emocional, física, econômica, social, a serviço da vontade. È preciso se lançar de cabeça ou deixar esse assunto de lado.


Mistura


O maior problema que alguém poder ter ao formar sua síntese intelectual é somar elementos aleatórios a ela. O trabalho com vários sistemas leva a confusão desses sistemas o que, eventualmente, acaba por dispersar a energia que o inconsciente direciona para ambos.


É necessário sacrificar o variado, misto e colorido em prol do simples e direto. Em outras palavras, é melhor buscar a profundidade da essência do que a variedade das formas.


A falha em perceber isso gera os “super generalistas” que conhecem um pouco de tudo e tudo de nada. Obviamente os resultados que eles obtêm são igualmente superficiais.


Conflito


Se você deseja ser fazer algo que preste na área de magia e misticismo é bom largar mão de algumas coisas. Pare de gastar seu tempo e neurônios com alienígenas, teorias da conspiração e infantilidade anarquista. Magia é antes de tudo pragmática e tudo que não pode ser usado diretamente no seu trabalho deve ser sumariamente descartado.


Quanto aos revoltados de plantão, recomendo que se reconciliem com a igreja na qual foram criados. Sim, o conflito religioso é um dos principais drenos de energia psíquica que alguém pode ter.


Magia não é feita pra crianças, adolescentes e pessoas mal resolvidas. Ela é uma ferramenta que exige completa concentração e determinação para ser usada. Por isso a exigência mínima é que o operador seja um adulto saudável e equilibrado para que funcione adequadamente.


O melhor exemplo disso é a grande massa de satanistas, dark sei lá o que e bruxinhos que apesar de seus egos exaltados, não são capazes de fazer mais do que gastar tempo e dinheiro com maquiagem e livros com desenhos de mau gosto.


Dicas finais


Como recomendações finais deixo alguns pontos para refletir e praticar:


    • Estude profundamente as práticas que estiver realizando, mago burro é mago incompetente.
    • Siga essas práticas exatamente como foram descritas. Se nem as ciências profanas aceitam trabalho porco, nas ciências ocultas ele é mortífero para a operação e para o operador.
    • Concilie-se com a religião na qual foi criado, ela é uma fonte de poder que e entendimento vital ao seu trabalho.
    • Magia é trabalho duro para todos os planos. Se não estiver disposto a dar tudo de si, é melhor nem começar.