terça-feira, 16 de agosto de 2011

Glossário


*Constantemente atualizado*

Definir corretamente os termos que utilizamos é grande parte do trabalho em compreender aquilo que pretendemos investigar.


Nephesh – Mesmo que o subconsciente da psicológica. Região mental especialmente voltada pra o aspecto instintivo e emocional. Sua linguagem básica são os símbolos. Capaz de perceber o mundo de Yetsirah.

Ruach – Mesmo que o conciente da psicologia. Região mental especialmente voltada para o processo intelectual. Sua linguagem básica são palavras e números.

Neshemah – “Superconsciente”, geralmente só pode ser percebido diretamente em estados de êxtase. Região mental voltada para o aspecto intuitivo. Sua linguagem básica são os arquétipos. Capaz de perceber o mundo de Briah.

Chiah – Parte do Superconsciente, geralmente só pode ser percebido diretamente em estados de êxtase. Não pode ser entendido como aspecto da mente mas como a força motora por trás dela. Sua linguagem é o que chamamos de Verdadeira Vontade.

Yechida – Parte do Superconsciente, geralmente só pode ser percebido diretamente em estados de êxtase. A mais intima partícula do individuo, mas paradoxalmente é completamente impessoal.

Assiah – Mundo material que pode ser percebido por meio dos sentidos materiais

Yetsirah – Subconsciente coletivo que pode ser percebido por meio do subconsciente pessoal. Seus habitantes são os daemons (espiritos, elementais, demônios, gênios, anjos etc)

Briah – superconsciente coletivo que pode ser observado por meio do superconsciente pessoal. Seus habitantes são os Anjos (Arcanjos, Deuses, Mestres).

Atziluth – pouco sabe-se sobre esse plano. De uma forma geral esse plano pode ser chamado de Deus. Seus aspectos os Nomes de Deus ou Formulas.

Verdadeira Vontade – Mais intima aspiração de um individuo e, simultaneamente, a tendência total dos eventos ao redor da pessoa (destino). É a força motriz da vida e das múltiplas existências do individuo. Em certo sentido o individuo foi criado pela Verdadeira Vontade como uma forma desta se manifestar.

Corpo de Luz – parcela do nephesh que, mediante ao exercício mágico ou místico, foi reconciliada e unida ao ruach, formando uma unidade integrada (diferente da unidade fragmentada do individuo comum).

Imagem Mágica – construção mental formado por imagens, conceitos e símbolos que permite o Corpo de Luz sintonizar com diferentes regiões de Yetsirah e mesmo Briah.

Navegando na Visão - Os 4 mundos


Dentre todas as formas tradicionalmente utilizadas para se classificar os diversos planos da natureza, aquela que creio mais conveniente e que mais me utilizo é a divisão cabalística dos quatro mundos. Apesar de ser uma divisão artificial visto que as barreiras entre os mundo não são nítidas como poderíamos supor a partir de um estudo teórico, uma serie de fenômenos e experiências comuns podem ser usadas para diferenciar e navegar por essas regiões.
Estar ciente das diferenças entre os planos é importante para diferenciar o aprendizado e riscos que cada uma dessas regiões oferece. Muitos são os videntes que, em sua ignorância de tais princípios básicos tornam-se de tal forma intoxicados pela visão que passam a avaliar suas próprias experiências de forma completamente desproporcional.

Assiah

É o mundo material por excelência. Ele é percebido principalmente por meio da percepção sensorial dos órgão físicos. Esse mesmo mundo pode ser percebido por modalidades especificas de desdobramento.
Essa modalidade de desdobramento necessita do que geralmente é chamado de “substancia etérea”, uma substancia de natureza material que é encontrada em seres vivos e especialmente no sangue. Um corpo de luz saturado dessa substancia permanece de tal forma próximo ao plano físico que é capaz de percebê-lo quase sem distorção, como se observando-o por meio de sentidos físicos.

Yetsirah

Este é o plano astral em sua forma mais característica. Ele é percebido especialmente por meio da imaginação e pelo sonho, sendo por isso filtrado pelo inconsciente do vidente. A melhor forma de descrever esse mundo é compará-lo ao mundo de Alice no Pais das maravilhas. Nele não existem lugares, mas egregoras, não existem paisagens, mas símbolos, é um universo onde símbolo e consciência são a realidade. Esse plano é de tal forma exótico que parecem funcionar em sua própria lógica.

A experiência desse plano é inconfundível, pois ela é, a principio, extremamente incoerente. Porem isso é devido a uma falha da mente consciente (ruach) pouco acostumada com o mundo onde sua irmã, a mente subconsciente (nephesh), habita.

O grande perigo desse plano é que sem compreender as suas regras é possível realizar infinitas formas de confusão. Isso ocorre também pelo fato de que a mente subconsciente, antes percebida como “interior” passa a ser percebida como “exterior”, graças a um constante processo de projeção. Assim a Visão torna-se cheia de seres que nada mais são que “ecos” ou fantasmas gerados pela mente subconsciente. Identificar esses ecos e mesmo controlar sua projeção faz parte do complexo processo de educação que o vidente deve submeter-se.

 A capacidade de deslocar-se dentro de Yetsirah depende unicamente da capacidade de polarizar o subconsciente (nephesh) com a região que se deseja visitar. A forma mais eficiente de se fazer isso é por meio de rituais e símbolos pois estes são a linguagem do próprio subconsciente.

Outra característica desse plano é a sua “energia”. Aqui emoções e sentimentos são a própria substancia da qual yetsirah é feito. Isso faz com que a visão tenha efeitos tão diretos e poderosos sobre o subconsciente (nephesh) que ele pode facilmente tirar o consciente (ruach) dos trilhos. O mais cético vidente pode ser levado a acreditar na mais descarada mentira simplesmente pela força emocional e sugestiva da visão. A perda da sobriedade deve ser o mal mais temido pelo vidente.

Ao longo desse Blog irei me referir aos seres que habitam essa região pelo nome genérico de daemons. Essa palavra, em sua conotação helênica, não passa de um termo genérico para entidades sem corpo porem sem um caráter divino (Briah).

Briah

Se Yetsirah era percebido por meio do subconsciente (nephesh) , Briah é percebido por meio do superconsciente (neshemah). Esse plano só pode ser penetrado meio de um estado profundo e prolongado de concentração e quem o faz merece ser verdadeiramente chamado de místico.

Este plano é a região onde a consciência manifesta-se na sua forma mais pura. Se Yetsirah é  um plano onde símbolos são seres vivos e ativos, Briah é o lugar onde os conceitos abstratos são entidades reais. Se Yetsirah é o mundo onde os sonhos são reais, Briah é o mundo onde o mito é a realidade. É um plano naturalmente onde a forma não existe, sendo que essas são naturais de Yetsirah.

O perigo oferecido por esse mundo é principalmente devido ao vidente. O impacto dessas realidades puras pode tirar completamente do eixo um nephesh desequilibrado. Por outro lado, mesmo um nephesh equilibrado ira distorcer a percepção desta visão em maior ou menor grau, sendo por isso necessário uma educação continuada de todos os níveis da mente.

Um fato curioso sobre Briah é que nele, apesar de ainda existir dualidade, a separatividade deixa de existir. Duas idéias antagônicas param de ser percebidas como duas coisas distintas e passam a ser vistas como uma coisa só. Em uma analogia mais conveniente, em Yetsirah cada face de uma moeda é percebida como uma moeda diferente, em Briah as duas faces são percebidas simultaneamente e irremediavelmente indivisíveis.
Os habitantes desse mundo serão genericamente chamados de Anjos ou Deuses, dado a natureza essencialmente transcendental que esses nomes abrigam.

Atziluth

Sobre este mundo sabemos muito pouco. Ele é de tal forma distinto de Briah como Briah é distinto de Yetsirah. Pouco pode ser dito alem de que os entes que aqui habitam são geralmente chamados de “nomes de Deus” ou “formulas”. É um mundo de tal forma abstrato que a diference entre uma coisa e outra, como somos capazes de conceber, simplesmente inexiste. Se em Briah vemos a moeda como tendo duas faces, em Atziluth não vemos mais a moeda, mas sim o metal da qual ela é feita e todas as possíveis faces que podem ser cunhadas nesse metal. É o plano do puro potencial.


De Assiah para Yetsirah

Chegar a Yetsirah é possível mediante ao uso da abstração sensorial. Sem os sentidos a ligação entre a consciência e o mundo material se dissolve e os sentidos de nephesh, antes eclipsados pelos sentidos, acordam.

A manifestação de Yetsirah em Assiah se da por meio da “substancia etérea”. Um daemon só pode se aproximar do mundo material se ele receber um “corpo” feito dessa substancia, sem isso a barreira entre os planos é praticamente intransponível. É essa mesma substancia que permite que estejamos ligados aos nossos corpos. Com a morte não existe mais corpo para conte-la e aos poucos a nossa ligação com o mundo

De Briah para Yetsirah

Passar de Yetsirah para Briah envolve o mesmo processo de desligar os sentidos de Yetsirah, o único detalhe que isso envolve interromper todo processo de pensamento e atingir aquela forma de ecstasi que é chamada de Samadhi pelos orientais. Com a voz de ruach e nephesh silenciadas os olhos de neshemah se abrem e contemplam o mundo de Briah.

Os Anjos de Briah podem se manifestar no plano de Yetsirah se for fornecido a eles um corpo da substancia de Yetsirah, em outra palavras, uma imagem mágica analogicamente alinhada com o Anjo. Se essa imagem é construída adequadamente e devidamente purificada a consciência do Anjo se “encarna” nela e passa a se comportar, temporariamente, como um daemon.

Hanistarot la-Adonay Eloheynu vehaniglot lanu ulevaneynu ad olam

domingo, 14 de agosto de 2011

Dos Arcanos Espirituais



Ao iniciar um blog sobre magia e misticismo me deparo com algo que me incomoda a tempos. No Brasil hoje praticamente inexistem referencias virtuais sérias sobre esse assunto e me sinto na responsabilidade de compartilhar um pouco do que sei, assim como outros compartilharam comigo em tempo idos.
Sou de uma geração de ocultistas que aprenderam muito não só por livros, mas também por meio dessas maquinas ligadas em rede. Navegando nesse oceano de informação que, assim como o plano astral, é um deserto de futilidades com alguns oásis de Deuses.
Espero poder erguer a serpente da modernidade e por breves instantes fazer dela a Serpente da Regeneração. Arrogância? Tolice? Que seja! Mas que seja sob as asas do Santíssimo.

IAO ADONAI SABAO